quarta-feira, 10 de setembro de 2008

APAGÃO DA SAÚDE NO BRASIL - CARTA ABERTA DOS MÉDICOS DEMISSIONÁRIOS.

BRASIL - APAGÃO DA SAÚDE - PE -CARTA ABERTA DOS MÉDICOS DEMISSIONÁRIOS DO SERVIÇO PÚBLICO.

O movimento dos médicos do Estado de Pernambuco tem sido acompanhado, a partir das notícias repassadas pela FENAM e pela imprensa pernambucana, aqui no Fax Sindical. Dentro dessa grave crise, que é o apagão da saúde pública no Brasil, o movimento pernambucano agiganta-se. Os médicos de Pernambuco atingiram um limite. Cansaram-se da falta de reconhecimento moral e material pelo seu trabalho, pelo seu conhecimento. Diante da estupidificação generalizada, respondem com uma renúncia digna. Pedem as contas e saem de cena. Que os governantes achem outros que aceitem ganhar salários pífios e trabalhar em espeluncas fantasiadas de hospital, diante da hostilidade crescente da população desassistida. Temos que entender a hora de pedir para sair.

Resta uma esperança. A mesa de negociações, com propostas decentes, discussão franca, visão clara dos problemas, transparência. Essa esperança esbarra na intransigência inabalável do Governo do Estado de Pernambuco. Os informes parecem dar conta de que o Governo já vai apelar para a represssão: polícia, processos, prisões. No entendimento do Governo uma sentença judicial parece impor aos doutores o trabalho forçado. Espanta aos que acreditam que a Lei Áurea não foi revogada que assim possa ser entendida a decisão de um tribunal.


Abaixo reproduzimos carta aberta dos médicos demissionários de Pernambuco. Para evitar maiores prejuízos à população, haverá o escalonamento dos pedidos de demissão:

Os médicos de Pernambuco informam a você, cidadão e cidadã, usuários do SUS, que estamos de LUTO por sermos obrigados a pedir demissão dos hospitais da rede pública estadual. Nossa causa não é apenas salarial como o Governo quer fazer você acreditar. Não agüentamos mais trabalhar em hospitais com filas intermináveis para tudo, com a falta de higiene, medicamentos básicos e leitos, atendendo pacientes até mesmo no chão. Diante de tudo isso nós, médicos, também estamos adoecendo.

Desde o dia seis de maio apresentamos uma pauta ao Governo Estadual visando à melhoria da assistência à saúde no estado e a valorização do trabalho médico. Diante disso tudo, quem está realmente abandonando a população? O Governo sabe da humilhação que os usuários e nós, trabalhadores da saúde, passamos todos os dias em nossos hospitais! Não acreditávamos que o Governo ainda pretendesse piorar o caos na saúde só para instituir Fundações Privadas.

Queremos que todos sejam tratados como gente, não como seres humanos menos importantes, e que nós possamos trabalhar com qualidade, não como cúmplices desta vergonha que é a saúde pública em nosso estado.

Nós, médicos, que ajudamos a salvar vidas todos os dias, esperamos que, finalmente, o governo cumpra o seu papel, já que SAÚDE É UM DIREITO DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO.

MÉDICOS DE PERNAMBUCO.

Abaixo, carta escrita por um médico da cidade de Petrolina

Há hora de lutar e hora de recuar; acho que está na hora de nós, médicos, lutarmos! Pernambuco, que já foi precursor de tantos movimentos que mudaram o País, poderá estar iniciando outro.

Não podemos mostrar fraqueza, não podemos nos colocar na posição de causa; somos conseqüência. O Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) tem de entender o que está se passando nas emergências deste país. O descaso é grande e nós, nesse caso, somos cúmplices, pois há muito tempo continuamos dando seguimento a matadouros com fachadas de hospitais. Temos o conhecimento na cabeça, temos força muscular para viabilizar as ordens que emanam do nosso cérebro, e faltam as ferramentas, obrigação do Estado, para a execução.

Mas continuamos emendando ligas de soro, mostrando orgulho em fazer malabarismo para salvar uma vida, como se isso mostrasse como nós somos habilidosos. Continuamos fazendo do serviço público o “bico” e enganando a todos, inclusive a nós mesmos.

Atender 200 pacientes em 12 horas de plantão, sozinho, sem condições de trabalho, com funcionários desmotivados, população irritada e agressiva, quem já não viu isso? Quem de nós não sabe dessas histórias? Quem não participou diretamente de um cenário semelhante no serviço público? E o que fizemos em defesa de nós mesmos ou de nossos colegas? Eu respondo: deitamos nos nossos travesseiros, tentamos dormir e nos reabilitamos para novamente, no dia seguinte, manter essa fraude, que é a saúde no nosso país. E mais ainda: esquecemos dos que passavam por esse inferno enquanto nos dormíamos.

Por isso tudo. A HORA É DE LUTAR!
Jose Britto – médico de Petrolina.

Fonte: Imprensa Fenam e Imprensa Simepe

http://portal.fenam2.org.br/item/portalDetails/9277

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